sábado, 9 de junho de 2012

Tal País, tal Selecção!


Um dos meus lemas predilectos sempre foi:

Cada país tem a selecção que merece.


Normalmente usava esta expressão de uma forma ligeira e com apenas uma ponta de ironia. No entanto, com o passar do tempo, tenho verificado que o alcance da mesma é cada vez maior.

Falemos do Europeu pois é para isso que aqui estou. Apostei 1€ na BWIN que Portugal não fazia nenhum ponto nem marcava nenhum golo. A cota era de 39 e acho que deveria ter apostado logo 50€. Não o faço agora porque não quero ir de férias à pala da miséria nacional... E porque não tenho confiança nos defesas adversários. Sempre podem meter um auto golo.

Apesar de ter sido uma aposta brincalhona, não deixa de revelar que os problemas que temos no que toca à concretização são bem reais. São tão reais, e há tanto tempo, que a equipa das quinas nunca ganhou nada.

Sou da opinião que uma equipa medíocre com um grande avançado ganhará muitos mais jogos do que uma boa equipa sem Ponta de Lança. Acham exagero? Pois eu não. O futebol é para quem marca golos e, quem joga bonito e não marca, simplesmente joga mal. Por isso é que as equipas pagam milhões por avançados de topo.

Façam o que fizerem, enquanto não tivermos qualidade na posição mais decisiva em campo, NUNCA ganharemos nada. A Alemanha, que teve um jogo sem inspiração, tem um dos melhores avançados do mundo. Bastou uma bola bombeada, vindo do nada, para ganhar o jogo.


Note-se que a importância de um grande avançado é tal que ouviram-se muitos comentários de que o golo Alemão foi "Sorte", "Caiu-lhes do Céu". Pois sim, o golo Germânico  apareceu porque o talento e poderio do seu atacante centro é monumental. E tudo o resto, as jogadas, as tabelas, as fintas e as correrias, não valem absolutamente nada.

E também é por isso que jogadores como Falcao, que não tem técnica especialmente apurada, capacidade física superior, nem outro aspecto que os distinga dos demais, se tornam gigantes. São escolhidos pelos Deuses para marcar golos e, de facto, marcam-nos em qualquer campo, de qualquer maneira e em qualquer momento.

Esta característica do nosso futebol não é exclusiva deste desporto. Na realidade, a constante falta de agentes de decisão válidos, é um cancro Nacional que exerce o sufoco dos seus tentáculos por toda a sociedade.

No futebol como no resto somos um país que, desde sempre, se gaba do seu potencial, da sua capacidade, dos seus recursos escondidos. Entre tons de fatalismo, modéstia excessiva e de orgulho falsificado, agimos como se não quiséssemos comprovar que, de facto, podemos vingar. É sempre a culpa de alguém, o tal "azar" que nos escreve o fado mas que, na verdade, é simplesmente talento dos outros.

Na política encontro grande paralelismo com a situação do nosso Futebol. Sempre fomos uma nação cujos dirigentes estragaram as poucas oportunidades que tivemos. Na bola, sempre aparece o "azar" na finalização. Nas catacumbas do parlamento decide-se que temos de formar Portugueses de modo a que sejamos mais competitivos. Porém, esses, saem com cursos impróprios para a realidade e, os que tem alguma qualidade, fogem deste buraco  para ajudar as economias estrangeiras. No futebol, da mesma maneira, formam-se jogadores às carradas que, invariavelmente, saem extremos ou médios de 1,50 metros e que, quase de certeza, acabam nas ligas amadoras.

E os agentes que decidem, ou seja, os políticos revolucionários, os "entrepreneurs" de sucesso, os cientistas de topo, assim como os grandes Pontas de Lança, não surgem em lado nenhum.

O problema de Portugal é a incapacidade de moldar o seu povo para as necessidades futuras (e não presentes pois, estas lutas, já estão perdidas). O problema de Portugal e, mais especificamente, do seu futebol, é ter milhares de escolas e professores incapazes de formar um avançado digno.

E, eu, JURO, nunca vi uma grande equipa sem um grande avançado. Mas já vi equipas medianas fazer brilharetes por ter um grande avançado (Atlético de Madrid).

Finalmente, mantenho e reforço a minha aposta: 0 golos e 0 pontos na fase de grupos.

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